Mixagem – 3 passos para a masterização

Quem está no mundo da música sabe que depois da gravação, existem pelo menos mais dois passos a percorrer pro seu produto final: A mixagem e a masterização. Agora, me responda uma coisa: Você sabe preparar sua mix para que seja masterizada em outro lugar?

No meu livro MIX – O Poder da Mixagem, você terá todo o embasamento e técnica para realizar uma mixagem rica, com profundidade e boa separação dos instrumentos à medida que você desenvolver sua percepção sonora. Também falo um pouco no livro sobre masterização. É uma introdução ao assunto e uma entrevista com o querido Carlos Freitas da Classic Master.

É muito comum ouvirmos dizer que devemos gerar várias versões da mixagem. Uma com a voz um pouco mais alta, outra um pouco mais baixa e por aí vai.

O que eu quero apresentar pra vocês hoje é uma forma muito mais eficiente de ter controle “total” e absoluto na master. Vamos ao que viemos:

1) Jamais coloque qualquer compressor ou limiter no master bus da sua DAW. De preferência, faça sua mix sem qualquer intervenção no master bus. Você pode até usar um limiter ou compressor pra ter uma ideia de como pode soar na master, mas JAMAIS deixe este plugin habilitado na hora de exportar/renderizar a wave final.

2) Exporte/renderize para o formato .wav na sua qualidade original. Se foi gravado em 24 bits, exporte em 24 bits. Se foi gravado em 48 khz, exporte em 48 khz. Se gravou em 16 bits não adianta passar para 24 bits. Mantenha em 16 bits.

3) Exporte/renderize grupos de instrumentos. Ex: Só backings. Só baixo. Só voz principal. Só teclados. só guitarras, etc. Desta forma é possível ter controle “total” dos volumes individuais na master. Se o masterizador achar que no refrão deve aumentar um pouquinho o volume da voz, terá a ferramenta pra isso. O mesmo vale pra quando quiser diminuir o volume só da voz, por exemplo (ou qualquer outro instrumento – ou grupo de instrumentos).

Pra você ter uma ideia, se no futuro você quiser ter a música sem as guitarras bastará inverter a fase do grupo das guitarras que foi exportado e pronto, sua mix vai tocar lindamente sem as guitarras. É quase mágico! :)

Lembre-se também de nunca deixar o sinal clipar internamente. Nem na hora da captação, nem no processamento dos plugins, nas pistas individualmente, nos buses ou no master. NEVER! JAMAIS! :)
Está bem… estou sendo um pouco radical. DAWs modernas aguentam um headroom praticamente infinito por conta da sua “matemática” de ponto flutuante (floating points). As pistas até podem “clipar”, mas o master nunca.
Então, durante a captação e no master, JAMAIS deixe clipar.

Se você usa o Reaper, facilite o seu processo de exportação usando o “Render Queue” na janela de Render/export do software. Sole as pistas ou grupos de instrumentos conforme a descrição do ítem 3 e vá adicionando à “Render Queue”. Por fim, é só mandar renderizar tudo em lote e ir tomar um café com o seu cliente.

reaper render queue

 

Lembre-se das dicas de manter a taxa de amostragem e profundidade de bits iguais ao original. A redução de 24 para 16 bits deve ser uma das últimas etapas do processo de masterização.

Boas mixagens,

Daniel Farjoun

www.danielfarjoun.com

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