Fotografia de Estúdio – Investimento X Produtividade

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Talvez você esteja pensando que fotografia de estúdio não tem nada a ver com você.
O que eu posso dizer é que eu também achava até começar a estudar sobre o assunto. Costumo dizer que o conhecimento é um catalisador criativo. Abre mais caminhos para exercitar a sua criatividade, desde que você esteja disposto a fugir da rotina, ou pensar fora da caixa. :)

Quando pensamos em estúdio fotográfico, logo pensamos em modelos, fotos de família, corpo inteiro, grandes espaços, equipamentos caros, etc. Mas existem diversas áreas na fotografia que não necessitam de grandes espaços e equipamentos caros. Você não precisa ficar com a corda no pescoço para abrir o leque e nem para conhecer novas técnicas.

Todos sabemos que fotografar é “escrever com a luz”. Então, a conclusão óbvia é a de que bons equipamentos de iluminação são tudo na fotografia de estúdio, certo? Será mesmo que devemos comprar os melhores flashes, softboxes, refletores, speedlites, colmeias, etc disponíveis no mercado?

A resposta para as duas perguntas é: Não necessariamente. Papel vegetal, foamboard, luminárias comuns, cartolina, papel ofício, flashes de outras marcas…, enfim, existem muitas soluções baratas e eficientes no mercado que vão te atender neste início de ampliação de conhecimento.

Em conversas pelas redes sociais descobri que muita gente tem o mesmo medo que eu tinha. Eu era um daqueles que achava que nunca seria capaz de entender como iluminar um objeto ou uma pessoa. Tinha um verdadeiro bloqueio até começar a querer levar a sério a fotografia de pets.

Tudo o que nos move e fazemos com amor é libertador. Somos capazes de gerar transformações internas incríveis quando estamos profunda e legitimamente interessados em realizar algo. Encontrei muito pouco material na internet e fui aprender na marra, praticando e observando fotos alheias. Quer uma dica? Observe os olhos das pessoas e dos animais. Lá está a chave do esquema de iluminação utilizado.

Para testar um equipamento de iluminação recém chegado, criei a série “Gravidade Zero”, que acabou virando capa da revista Photo Magazine da Editora Photos e me rendeu a produção da capa e imagens de abertura de sessões da revista anual Comer&Beber 2012/2013 da Ed. Abril.

Veja as fotos do gravidade zero:

Então, comecei a pesquisar de forma mais abrangente. Comecei comprando video aulas sobre fotografia de produto. Assisti muitos vídeos no youtube e percebi que muita gente mostrava fotos maravilhosas feitas com equipamentos aparentemente “não profissionais”. O que parece óbvio, mas foi um divisor de águas para mim, foi compreender que não devemos pensar em como adicionar luz ao objeto, mas em como o objeto irá refletir a luz criada e o ambiente (o cenário em volta dele). Iluminar um objeto preto pode ser completamente diferente de iluminar o mesmo objeto na cor vermelha ou branca.

O que importa então é conhecer os princípios e saber chegar no resultado esperado de acordo com cada estilo de fotografia. Lembre-se: O ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão. Logo, sua fonte de luz será visível quando um objeto puder refletí-la direto à câmera.

Para exemplificar, criei 4 situações de iluminação que podem ajudá-lo a desmistificar a questão dos equipamentos caros de estúdio.

A imagem abaixo foi criada na sala da minha casa, utilizando apenas a luz de uma luminária caseira com um plástico branco translúcido (não totalmente transparente) entre a lâmpada e a garrafa (maior que a garrafa). Este plástico pode ser do mesmo material que fazem cortinas para box, desde que seja transparente. Do outro lado da garrafa? Cartolina branca. Tudo o que você pode ter na sua casa por menos de 10 reais.

Tenha sempre em mente que quanto maior a fonte luminosa, mais suaves serão as transições para as regiões de sombra do objeto/pessoa/assunto fotografado. Por isso o plástico na frente da lâmpada. Ao invés da fonte ser do tamanho da lâmpada, a luz bate na superfície do plástico e o transforma numa fonte luminosa bem maior que a lâmpada. Isso suaviza as sombras e limpa os reflexos.

Com 2 minutos de manipulação no arquivo RAW e mais 10 para juntar 3 fotos da mesma cena (uma com a luz como falei, outra para dar mais luz ao rótulo e outra da cerveja mais congelada ainda), fiz a montagem das três fotos para pegar o melhor de cada.

Saindo da situação “investimento quase zero”, temos o segundo exemplo. Esta foto foi feita para a revista Comer&Beber 2012/2013 da Ed. Abril.

Utilizei um rolo de papel vegetal com 1.20m de largura como difusor (R$80,00) e uma lâmpada. Ao invés de usar a luz do flash usei a luz modeladora, que poderia ser também uma luminária dessas comuns de leitura. Ao invés de utilizar o papel vegetal podia ter tentado usar um TNT que é bem mais barato. Se você puder escolher, opte pelo papel vegetal que é mais homogeneo, limpo e fácil de manusear.

A luz ficou do lado direito, na altura da taça, com o rolo de papel vegetal indo do chão a aproximadamente 2 metros de altura (entre a luz e o caixote). Do outro lado utilizei um placa de foamboard (papel pluma de antigamente) para refletir a luz e criar um aspecto similar no reflexo da taça. É difícil encontrar grandes placas aqui no Rio de Janeiro. Achei em um único lugar chamado MOLDUCENTER em São Cristóvão (tel. 21 2589-5164). Possuem placas de diversas espessuras e com até 3 metros de altura. Super útil!!

Para o terceiro exemplo utilizei um sofbox de 120x80cm acima e ligeiramente atrás da objetiva.
Na frente utilizei um simples pedaço de cartolina branca para rebater a luz do softbox e iluminar a parte de baixo da objetiva. Do lado direito e a 45 graus um segundo flash sendo difundido por um TNT (por pura preguiça de pegar o papel vegetal). No fundo o resultado foi o mesmo. Queria dar apenas um brilho e cor à lente. Ao invés de usar o sofbox com flash você pode, por exemplo, utilizar um papel vegetal com uma luminária de leitura (com lâmpada de 100W) atrás. Se precisar de mais potência, adicione mais luminárias. Nestes casos, é sempre bom fotografar com tripé.

O softbox concentra e direciona a luz, mas neste caso não faria a menor diferença se fosse diferente. O mais importante é uma superfície grande e iluminada (softbox ou papel vegetal) para que a luz seja suave, macia, e os reflexos dos botões e curvas da câmera apareçam brancos e não o seu estúdio/quarto.

A quarta e última cena foi produzida com 3 flashes e um rebatedor no intuito de mostrar o quão importante é o conhecimento da iluminação e o quão importante é o conhecimento da manipulação para se chegar no resultado desejado. Esta é uma produção mais cara, por conta dos equipamentos. Também foi preciso um Radio Flash para disparar os 3 flashes ao mesmo tempo.

Dois sofboxes a 45º por trás da modelo, um de cada lado. Outra sombrinha do lado direito, à frente da modelo.
O rebatedor ficou do lado esquerdo para quebrar um pouco qualquer sombra produzida pelas outras luzes. Também ajudou a delinear a silhueta branca do óculos. Neste caso, queria que a imagem fosse forte o suficiente para reforçar a mensagem da modelo.

Queria um visual impactante e chamativo, quase como uma imagem desenhada, cheia de contrastes e texturas. Se você não tem dinheiro para flash da marca da sua câmera, pode comprar flashes mais baratos como os da empresa Yongnuo. Costumam ser 4 vezes mais baratos que os outros e funcionam muito bem. Você pode também trabalhar com luz contínua (lâmpadas convencionais). Adicione quantas forem necessárias para dar a intensidade desejada. Lembre-se que quanto menor a fonte de luz, mais forte e marcada será a sombra. Quanto maior a fonte de luz, mais suaves ficam as sombras.
Use o TNT, o papel vegetal para criar estas superfícies maiores quando necessário.

Acredito realmente que é importante ter uma visão global da fotografia para criar o seu diferencial. É sim importante conhecer diversas técnicas de fotografia e usar aquela que lhe convém na hora certa. Só se pode explorar e ousar quando você sabe que, na sua frente, existem diversos caminhos a seguir. Experimente! Ouse com as ferramentas que possui. Não fique preso aos equipamentos. Improvise. Ninguém precisa saber como as coisas foram feitas. Você só precisa produzir boas imagens para o propósito que está produzindo.

Não tenha medo de usar o photoshop se ele for te salvar ou te ajudar no resultado desejado. A única coisa que você deve pensar é: Quanto tempo eu perco no photoshop e em quanto tempo eu poderia resolver esse problema se eu soubesse a técnica certa? Então invista em conhecimento naquilo que julgar necessário!! Em resumo: Não se imponha limites por não ter o equipamento adequado. Vá atrás e faça acontecer.

Boas produções,

Daniel Farjoun

www.canaldafoto.com.br
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Sua “curtida” é um incentivo pro trabalho continuar! :)